Archive for 9 de Março, 2010

CURITIBA E O REGIME DA REVOLUÇÃO DE 1964

RESGATANDO  A  HISTÓRIA  DA  RECONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA. A Ditadura Militar de 1964, estava em processo de desgaste perante a opinião pública.  Em Curitiba, após fundarmos o PMDB, montamos forte base popular nas vilas carentes da Capital, pois a eleição de 1982 seria decisiva para a consolidação da democracia.  Em novembro de 1982, José Richa  foi eleito governador pelo PMDB do Paraná, e após uma luta interna forte, o PMDB de Curitiba conseguiu impor o nome do então dep. federal  Maurício Fruet, como prefeito de Curitiba  (1983).  Richa foi obrigado a nomeá-lo, embora  contra a sua vontade.

COMO  ERA FEITA UMA BOA  MARACUTAIA? Mauricio Fruet montou sua equipe de governo nomeando-me como diretor da fazenda  (DFI) da Prefeitura.  Determinei um recadastramento em todos os imóveis de Curitiba, quando descobri  diversos  esquemas de privilégios escandalosos que favoreciam os milionários  da Capital, os quais  apoiavam a “Ditadura Militar de 64”.  Constatei, inclusive,  mansão de trilionário com  paredes  de veludo  no alto da Rua 15 de novembro,  sem nenhum registro na Prefeitura!  O  pior foi quando constatamos  diversas áreas de 50, de 20 alqueires, e  outras tantas,  de 10  a 5,   TODAS  DENTRO DO PERÍMETRO  URBANO DE CURITIBA, QUE   NÃO  PAGAVAM  IPTU,   POIS  ESTAVAM,  MALANDRAMENTE,  CADASTRADAS  COMO  ÁREAS  RURAIS  E POR  ISTO  PAGAVAM   O  ITR, IMPOSTO TERRITORIAL  RURAL,  NO  INCRA em vez de IPTU.   EM VALORES DE HOJE UMA  ÁREA  DE  50  ALQUEIRES, DEVIA CEM MIL REAIS POR ANO.  ENTRETANTO PAGAVA   ILEGALMENTE, SÓ  O ITR, NUM  VALOR IRRISÓRIO DE UNS   MIL REAIS POR ANO. Era desta forma   que uns “determinados”  ricos, ficam mais ricos,  no País, e os pobres ficam mais pobres.  Para recadastrar  estes  “malandros”  no IPTU foi uma guerra.  Até um  ex-governador do Paraná  estava nesse bolo.  Tivemos que  montar uma comissão para “estudar”  o assunto.   Elaboramos uma lei com diminuição gradativa  do “privilégio”  eliminando em 5 (cinco) anos este indevido registro.  Pela lei  obrigamos   que   tais áreas  se destinassem  a produção.  Um dia, fazendo uma fiscalização,  passei na  área  de 50 alqueires.  Estavam  plantando  soja, com  raiva,  mas estavam.   Vencemos  uma batalha.  Mas, e a guerra?

PAGAMENTO DO  PREÇO  PELA  OUSADIA DO ENFRENTAMENTO.

Por este ato ousado  paguei   um preço alto. Pela nossa atitude de desafiar  os poderosos  milionários  e “donos” da Capital do Paraná.  A partir deste episódio  meu nome  foi colocado no aquivo de “persona non grata”  lá  pelas bandas do Palácio Iguaçu.   Mauricio Fruet  um dia confessou-me;  “Lineu,  você nem queira  saber quanta  pressão  recebo diariamente para  demití-lo “. A  partir  daí,  passei a ser vetado  para qualquer  cargo  de comando que tivesse  “caneta cheia”. Fiquei pensando … será que é impossível  ser honesto no serviço público?  Será que o poder só pode ter quem o usa para privilegiar os poderosos? ESTE  VÍCIO DE ORÍGEM DE PODER  PÚBLICO  NO PARANÁ,  A PARTIR  DE  CURITIBA,  PERSISTE  ATÉ  HOJE.  AINDA  VIVEMOS  A  DIVISÃO SOCIAL,  CITADA PELO GILBERTO FREYRE  NO SEU  LIVRO   “CASA  GRANDE E  SENZALA”, CUJOS  ATOS  SÃO  EXPLICADOS PELO   DITADO CLÁSSICO, PROPALADO PELA “DITADURA MILITAR DE 64” :  “AOS AMIGOS  OS FAVORES  DA  LEI.  AOS  INIMIGOS  OS  RIGORES  DA LEI “.  Isto precisa mudar.

Charge: http://4.bp.blogspot.com/

Anúncios