Archive for 7 de Junho, 2014

CORRUPÇÃO CAMPEIA LIVRE NO MUNDO DO FUTEBOL…..INCLUSIVE AQUI NO BRASIL…..

A PROPÓSITO DA  “COPA DA VAIDADE DO LULA  (PT)”……NO BRASIL..…O economista Hélio Duque remeteu um artigo onde ele analisa a corrupção que corre solta no mundo do futebol, inclusive no Brasil……vejam…….

Futebol: corrupção sem fronteira

Hélio Duque

Alguém já disse que o futebol, um jogo arrebatador e emocionante, vive hoje um perigoso dilema entre o hedonismo, o prazer das torcidas apaixonadas e o hediondo, a depravação que cheira mal. O escritor Eduardo Galeano, no livro “Futebol ao Sol e à Sombra”, constata: “A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos expectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo. O futebol profissional não tem escrúpulos, porque integra um sistema de poder inescrupuloso.”

Na Europa, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade oficial respeitada mundialmente, denunciou: “Os clubes de futebol são vistos por criminosos como veículos perfeitos para a lavagem de dinheiro. A lavagem de dinheiro no futebol se revela como sendo mais profunda e mais complexa do que se pensava antes.” O jornalista Jamil Chade, que vive em Genebra, atesta: “Apenas em 2011, a Fifa registrou mais de 5 mil vendas e compras de jogadores, com uma movimentação de US$ 2,3 bilhões. Segundo a Fifa, seria apenas parte da história e quatro de cada dez dólares negociados nunca aparece nas contas oficiais.”

Correspondente de “O Estado de S.Paulo”, na Suíça, há muitos anos, Jamil Chade, na edição de 28-01-2014, afirmava: “A facilidade no uso do futebol para aplicar crimes financeiros seria resultado de quatro fatores: a falta de profissionalismo em muitos clubes, o acesso de qualquer agente à administração do futebol, estruturas complexas de comando de clubes e uma total internacionalização do esporte. O mecanismo mais comum é o de usar o futebol para integrar no sistema financeiro dinheiro de origem duvidosa e mesmo de corrupção.”

E no Brasil? Qual a realidade dos grandes clubes brasileiros? Tristemente todos eles estão encalacrados em dívidas monstruosas, na escala de bilhões de reais. Em passado recente, parte dos seus patrimônios se traduzia nos direitos econômicos que tinham sobre os seus atletas. O Ministério do Esporte constata que entre 70% e 80% do total dos direitos econômicos dos atletas dos clubes do Brasil são de terceiros. Representados por agentes de futebol, empresários e até de dirigentes dos clubes.

Descapitalizados, os grandes clubes brasileiros tornam-se reféns dos empresários do futebol. Ricos e poderosos esses investidores possibilitam que times fortes e competitivos sejam montados para o campeonato brasileiro, de olho da valorização dos atletas. O lucro nas futuras vendas é abocanhado pelos verdadeiros “reis econômicos” do futebol brasileiro. Hoje não existe nenhum jogador de primeiro nível que o seu clube tenha 100% do seu direito econômico. Em alguns casos, tem pequeno percentual. O episódio da venda do craque Neymar ao Barcelona, é exemplar: o valor total foi de 57,1 milhões de euro. O Santos recebeu 17,1 milhões de euros e os empresários ganharam 40 milhões de euro.

Os investidores do futebol são os verdadeiros donos do futebol brasileiro. A grande paixão de milhões de homens e mulheres no Brasil é refém da vontade e desejo de um grupo de arrivistas endinheirados. O governo brasileiro acenou com a possibilidade de refinanciar as dívidas dos clubes e em contrapartida haveria a extinção da propriedade de terceiros sobre os direitos econômicos dos atletas. O recuo decorreu da constatação da paralisação dos campeonatos, sem o dinheiro dos empresários. Os clubes não teriam recursos para manter os atletas.

Nesse ano de Copa do Mundo, a grande paixão dos brasileiros, o futebol, tem nos seus clubes e fanáticas torcidas verdadeiros inocentes úteis. O futebol brasileiro não é administrado por motivos esportivos, mas para gerar lucros para os espertos especuladores. Os clubes transformaram-se em “biombos” de interesses privados. O fanático torcedor é um autêntico “bobo da corte”. A Copa do Mundo no Brasil comprova fartamente que corrupção e futebol, transformaram-se em irmãos siameses.
Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

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