ALÔ, ALÔ MARXISTAS……LEIAM ESTE ARTIGO SOBRE O MARXISMO…….

SEM DELONGAS LÁ VAI MEU ARTIGO SOBRE O MARXISMO…….Atendendo a pedidos, já que este artigo o estava no arquivo da Web como de domínio público e  “alguém” retirou…..então publico aqui………

Karl Marx Elogio del crimen  KARL  MARX

MARX x MARX ?
A queda inesperada dos regimes políticos nos países do leste europeu, notadamente naqueles onde mais se destacou o chamado “centralismo democrático”, fórceps das teses do socialismo marxista, podendo até ser comparado com a política do “big stick” do Tio Sam, (obviamente uma versão intelectualizada bem ao gosto dos stalinistas) , surpreende o mundo capitalista e principalmente a extrema direita do primeiro mundo ocidental
Com este processo inicia-se a perda de motivação e das causas do combate ideológico aos regimes marxistas, uma vez que estes modelos socialistas nas suas diversas versões caem por terra de forma avassaladora sem nenhuma interferência direta externa. Implodiram-se !
A extrema direita ocidental sempre se alimentou e se fortaleceu ao longo do tempo, com base num possível confronto futuro com os países conduzidos no marxismo centralista, o que não ocorreu.
A partir de então, aumentam as críticas ao marxismo centralista pelos próprios marxistas, bem como é óbvio pelos liberais, e intelectuais ocidentais, mesmo de esquerda.
Contesta-se enfim a validade de um modelo de regime único para todos os povos.
É possível um só modelo padrão de regime político para todos os povos do mundo inteiro independente de suas raízes culturais ?
Como demonstrar na prática o materialismo dialético de Marx, para derrubar falsas concepções populares sem a utilização do processo traumático da imposição revolucionária ?
A dialética antiga habilmente manipulada por Sócrates, cai por terra por limitações das proposições de perguntas para se obter uma verdade, já que o interlocutor era induzido a repetir o proposto.
Marx e Hegel confrontam-se quando Hegel propõe que houve um espírito que pensou o universo e neste pensamento Hegel funde espírito e consciência e afirma que: “As transformações do espírito é que determinam a transformação da matéria” . Conclui-se obviamente que tais transformações ocorrem por interferência do homem ou da natureza.
A visão de “espírito” de Hegel é ligada ao aspecto abstrato dos fenômenos da mente.
Já, Marx, afirma em uma de suas leis da dialética que: “ No movimento dialético cada coisa traz em si sua contradição, e levada a se transformar em seu contrário, o ser vivo caminha para a morte”
Na análise desta lei de Marx, pela sua lógica o ser após a morte deve retornar à vida, já que o ser vivo caminha para a morte. Assim de modo paradoxal, estaria Marx propondo a existência de outra vida após a morte, ou um novo retorno para a vida ?
Considerando este raciocínio pode-se concluir que Hegel estava correto ao propor a existência do espírito e ainda com o aval de Marx ? No movimento dialético existem duas formas de direções opostas, uma constrói o ser e a outra o destrói.
Marx contestou Hegel, parcialmente, ao aceitar a idéia das transformações das coisas e põe em dúvida os conceitos de então afirmando: “Os filósofos só fizeram interpretar o mundo de diversas maneiras, importa agora transformá-lo”.
Cabe lembrar aqui o aspecto de que o mundo já vinha transformando-se antes de Marx, ou seja, a evolução da sociedade não se iniciou com Marx.
Surge então a grande contradição da dialética marxista . Como transformar a sociedade ? Através da forma revolucionária sangrenta, ou pela revolução das idéias com a conscientização de opressores e oprimidos ?
Intelectuais da esquerda italiana há muito tempo consideram o marxismo como terminado. É a visão crítica da própria dialética marxista, que pede a transformação da sociedade , ou resumindo; vê-se marxista contra marxista como marca da esquerda atual.
Marx, na essência de sua dialética contesta a si próprio ao aceitar a evolução pela superação de valores que se tornam ao longo do tempo conservadores.
Assim o marxismo ao longo de décadas também entrou no desgaste do tempo, provando a sua própria tese e tendo sua utilidade já ultrapassada, pois se tornou também tese conservadora ao não se renovar.
Pode-se talvez afirmar que a dialética marxista acabou em si mesma ?
Marx critica os filósofos que o antecederam, chamando-os de idealistas.
Hoje se vê que esta crítica cabe também ao próprio Marx, pois sua imagem também ao longo do tempo transforma-se em idealista, face ao insucesso do marxismo e suas contradições.
Não contou Marx com a fragilidade do homem, com suas angústias, necessidades, frustrações e desejo de consumir mais e mais, independente da possibilidade de tal realização.
Errou também ao imaginar que o homem deve objetivar só a matéria e esquecer da questão espiritual, do místico e dos fenômenos não explicados.
Quando Marx propõe tão somente a questão material como solução, ignora o não explicado e frustra àqueles que “querem” acreditar no místico e também buscam a verdade, para a qual a dialética marxista não tem resposta.
Os aspectos de maior expressão negativa e marcante nas experiências do marxismo nos países socialistas, foram sem dúvida a ausência de processos tecnológicos voltados a produção de escala de bens de consumo de massa e o excesso da “discursseira” ideológica.
Faltou competência
Tenho a afirmado que “a cultura de um povo é mais forte que qualquer proposta ideológica”, e no caso do Peru e da Polônia a frase consagrou-se.
Quais os erros cometidos pelos marxistas?
Na Polônia em verdade há uma luta de classes, entre o operariado polonês e os dirigentes do Governo controlados pelo PC Polonês, tecnocratas e intelectuais. O marxismo não objetivou uma sociedade sem classes sociais ?
Na base destas contradições, encontramos na Polônia dois temas básicos do embate social; os fortes laços do polonês com o catolicismo e a incapacidade dos dirigentes do Governo Polonês comunista em darem respostas ao povo na questão econômica e da produção de escala de bens de consumo popular bem como da liberdade individual e religiosa.
O caso do Peru também é típico.
Tive oportunidade de assistir pessoalmente os acontecimentos do insucesso do “socialismo cooperativista peruano”.
O sonho de algumas esquerdas do terceiro mundo ocorreu no Peru, no que toca a tomada de poder quando, Velasco Alvarado, general do Exercito Peruano liderou um processo revolucionário de esquerda e implantou um regime cooperativista e socialista no Peru.
Resultado. Em oito anos de “socialismo” o povo sofria de “ideologismo de esquerda”. Queiram eles melhores condições de vida, o que a proposta socialista não conseguiu dar, mesmo com a reforma agrária e a coletivização das fazendas do Peru com a implantação de cooperativas de produção agrícola.
Após oito anos de insucesso, Osny Moralles Bermudes, outro general peruano, atendendo a pressão da maioria da população, deu um contra golpe no socialismo do Peru, promovendo e patrocinando a redemocratização do Peru.
Nova Constituição foi aprovada, e por ocasião das eleições presidenciais, mais de vinte partidos políticos obtiveram registro e o resultado das urnas foi o esperado com a vitória de uma coalizão de partidos de centro-direita.
A esquerda derrotada nas urnas ficou desarticulada e o grupo maoísta do Sendero Luminoso, segue o caminho da guerrilha nos Andes do Peru, cujos resultados deste gesto seguramente de nada adiantaram politicamente.
A experiência negativa desta socialização de cima para baixo, errou ao não levar em conta a composição do tecido social peruano, onde se encontra forte contingente do povo inca vivendo sua cultura milenar própria e se recusam a aceitar a cultura européia imposta pelo conquistador espanhol, mesmo após 400 anos de domínio. De resto, os mestiços ligados ainda aos laços incaicos, somam juntos a maioria do povo peruano . Isto não foi levado em conta pelos marxistas de então, ou seja, a cultura do povo peruano.
Visitei uma cooperativa ao norte da Capital peruana, (Cooperativa Maria Laura), onde pude observar e concluir que os campesinos peruanos estavam apáticos, inertes e distantes das propostas implantadas no Peru, do materialismo dialético de Marx.
Este comportamento do índio inca e do mestiço peruano levou-me a concluir que a “questão cultural prevalece ante a qualquer doutrina ou proposta ideológica”. A cultura inca do povo peruano foi mais forte do que a proposta do socialismo dialético de Marx.
Na Rússia atual ocorrem exemplos claros da prevalência da questão cultural sobre a questão doutrinária de Marx, quando os armênios e outros povos da região exigem maiores liberdades com base em suas raízes culturais e nacionalistas. Isto oferece mais uma contradição ao marxismo inaugurado desde Stalin, o qual ignorou o seu próprio processo marxista da “totalização”, marcando ausência de visão do conjunto das origens culturais dos povos dos países onde o comunismo se impõe pela força das armas na esteira da II Guerra Mundial.
Marx, ao enfocar a “alienação”, – como atividade do trabalho a qual deforma e deprime o homem nos moldes clássicos do capitalismo , o qual impõe a mais valia e se apropria de parte do suor do trabalhador – , aflorou a luta de classes entre patrão e empregado e subjetivamente propõe a extinção das classes sociais.
Ora, aceita esta idéia de Marx e extinguidas as classes sociais pela radicalização da proposta, caímos na robotização do homem, tal qual ocorreu na China na fase de Mao, onde se chegou ao exagero da uniformização do povo com a famosa túnica modelo Mao.
De um extremo ao outro, o homem não mais se aliena no trabalho para o sistema capitalista, mas para talvez se alienar na proposta socialista de Marx , para o estado totalitário centralista o qual passa a determinar até o que vestir e qual a cor. Isto também é opressão, somada a luta surda entre a classe dirigente, militares e intelectuais marxistas, contra a classe operária.
O papel do intelectual no processo dialético, é o de pautar sua vida pelas informações científicas absorvidas no universo intelectual, vivendo o mundo teórico irreal em vista de que a massa não é intelectual e não pertence ao seu mundo.
O intelectual usa da massa como laboratório para testar o avanço dialético e nesta relação tenta agregar-se esporadicamente à massa de modo contraditório antagonizando-se com os valores próprios e preconceituosos da sociedade , estabelecendo assim o conflito e as contradições com a massa.
O homem por ser, um ser racional, é inconstante e pensa no abstrato, sonhando explicar o cosmo, sua origem e fim. Daí a vocação do homem na sua recusa em vestir qualquer camisa de força materialista ou não.
Soma-se a todas as dúvidas sobre o marxismo a afirmação feita por algumas tendências comunistas de que, o marxismo não é nada do que se fez na Rússia de Stalin e tampouco na de Gorbatchev, fase atual da Perestroika, acumulando-se assim contradição na contradição.

A CIÊNCIA NO CAOS.
Marx, e seus seguidores buscavam nas ciências exatas comparações para tentarem provar a inexorabilidade do materialismo dialético, buscando assim dar uma conotação de exatidão em uma ciência social inexata, o marxismo.
Na década de 70 na Universidade da Califórnia, jovens cientistas pesquisadores do Departamento de Física, propõem o estudo de uma nova matéria curricular a qual denominam “caos”, cujo objetivo era encontrar ordem em sistemas que aparentemente não têm ordem alguma.
Em dez anos de pesquisa os cientistas conseguem encontrar ordem científica desde a observação de uma torneira pingando aleatoriamente, até a uma ordem de modelo computadorizado em mistura de tintas padrão microscópico (invisível), cuja mistura se faz de modo simples, manual e desordenado.
Experiência com números em computador alimentado de modo desordenado, resultou no estabelecimento de nova ordem científica.
Resultam estas experiências em uma nova ciência da física chamada, caos, e se estabeleceu um novo modo de enxergar a realidade do universo da anti-ciência, provando-se que no mundo aparentemente caótico e confuso, em verdade só existe o ordenamento científico, com leis próprias antes desconhecidas. Surgiu assim a ciência exata do caos, hoje aceita nas faculdades.
A ciência do direito, ordena ao Juiz dar a sentença pelo “uso e costume” da sociedade, na ausência de lei escrita da lógica da ciência do direito, e o Juiz assim nada mais faz do que aceitar e utilizar-se do que poderia ser um fato do ”caos social”, sob o ponto de vista científico.
Utilizando-se da lição de Marx, de buscarmos nas ciências exatas justificativas para o materialismo dialético ao ser implantado na sociedade em nome do povo, o socialismo marxista, estará na realidade confrontando-se com o ordenamento social vigente, o qual está em “caos social” aparente, isto para o intelectual marxista, maniqueísta.
Após a descoberta da ciência do caos, se pode especular :
“O mundo confuso e caótico para os marxistas, em realidade não é assim tão confuso ou caótico, e muito ao contrário, é feito de fenômenos com leis próprias da ciência do caos social”.
Será que a ordem social injusta e confusa não seria a prova de normalidade de um estágio científico -cultural de caos social de um povo ou de um grupo social ?
A tônica dos teóricos da dialética marxista tem sido a contradição entre si, o que tem resultado em eterno conflito , onde se deduz que assim ocorre o confronto Marx contra Marx.
O desacerto e o caos de alguns governos comunistas ao longo da história, não seriam os efeitos da causa da lei da ciência do caos?
Gorbatchev, ao longo de sua carreira nada mais fez do que ouvir o povo e pesquisar quais os seus desejos, descontentamentos e angústias.
Esta prática de Gorbatchev, identifica-se exatamente com a ciência de marketing, usada nos países capitalistas, para garantir o sucesso de um produto no mercado consumidor através de constantes pesquisas junto a massa consumidora.
Com isto Gorbatchev isola o burocrata conservador, fazendo com que o povo influa no resultado da direção do Estado, restabelecendo a verdade e quebrando “as falsas concepções” marxistas da classe dirigente centralista, desta vez, falsas concepções não do povo, mas sim, das classes dirigentes e de intelectuais marxistas, invertendo-se assim o objetivo do materialismo dialético de Marx, de “derrubar falsas concepções do povo”, para desta vez; derrubar falsas concepções dos intelectuais marxistas, os quais atuavam contra o povo, talvez assim comprovando-se a lei de Marx, de que; “tudo caminha para se transformar em seu contrário” : Ontem dirigente e punidor, para hoje ser dirigido e punido !
O FUTURO
O povo não mais se alimenta da “discursseira” ideológica dos sonhos românticos dos idealistas da sociedade comunista, alimentados pelos intelectuais marxistas e, tampouco aceita hoje a proposta da direita do capitalismo selvagem terceiro mundista e decadente.
Pesquisa sócio econômica realizada em 1989 em São Paulo, deu o perfil do brasileiro ano dois mil. O resultado registrou o desejo de sepultar o passado ruim, negativo, e o desejo de renovação, o desejo de consumir, na busca do novo, procurando assim uma saída por um novo caminho.
Constatou-se que o desejo de sepultar o passado tinha como causa a frustração psico-social dos eventos políticos que empolgaram o País e ficaram popularizados como: “Diretas Já, Plano Cruzado e Nova República”.
Esta pesquisa explica claramente o fracasso dos candidatos à Presidência em 1989, de Roberto Freire, Ulisses Guimarães, Mario Covas e Aureliano Chaves, todos ligados ao passado e até o Lula, de um passado mais recente. Explica ainda a vitória de Collor, que se apresentou como o “inovador”.
Ao aceitar-se a possibilidade de buscar na ciência do caos, embasamento científico para uma possível tese de estudo do “caos social”, talvez no futuro poder-se-á afirmar que; “não existe contra ciência, ou seja , tudo é ciência, o caos é ciência ! “
No campo das ciências exatas a considerar a ciência do caos, isto já pode ser afirmado. Ao pensarmos nestas possibilidades novas, pode-se projetar a revolução que tal proposta poderá provocar, por exemplo na ciência da psicologia e outras ciências sociais do futuro, inclusive na política.
De tudo exposto, pode-se concluir que o povo quer solução às suas necessidades de habitação, alimentação, saúde, educação, transporte e lazer. Quer governantes honestos e sérios no gerenciamento da coisa pública. Quer liberdade de ir e vir, liberdade de crença no mundo espiritual e liberdade cultural.
Enfim o povo quer solução aos seus problemas, venham elas de onde vierem, independente do modelo de governo vigente , mas seguramente com liberdade, e sem imposições de força e opressão que impeça a manifestação do indivíduo dentro dos princípios dos direitos universais de livre manifestação do pensamento

Autor: Lineu Tomass. Advogado, jornalista e radialista.
NOTA DO AUTOR: Este ensaio de sociologia política, foi escrito e publicado no jornal Diário do Paraná (Curitiba) em 1979, quando ainda vigorava o chamado “socialismo real” que imperou na ex-União Soviética (comunista). Foi republicado no Jornal do Estado (Curitiba) em 28/08/1991. Hoje já existe na Universidade Federal do Paraná, cadeira de ensino da ciência do caos no campo das ciências exatas.
Agradecimentos ao amigo jornalista Luiz Geraldo Mazza, o qual nos incentivou a publicar este ensaio.

Contato: ( lintomass@bol.com.br ).

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